D. TERESA

PONTE DE LIMA A TERRA E A GENTE !

domingo, 20 de janeiro de 2008

FIGURAS POPULARES DE PONTE DE LIMA

S. Gonçalo barbeiro “Filho”

Gonçalo António Pereira dos Santos

O S. Gonçalo, como todos o chamavam era o homem das seis profissões.

Na verdade exercia todas elas, embora a sua especialidade fosse enfermagem.

Ele era enfermeiro, muito prestável e dedicado dava as vacinas ás crianças da escola que procurava cativar com um certo ar maroto que possuía, ainda na área da saúde, exerceu também a arte de dentista, percorrendo as freguesias do Concelho na sua velha bicicleta que estava já preparada com uma caixinha onde se fazia transportar das ferramentas de que necessitava para executar a tarefa, alicates, pinças, aspirinas…sempre que requisitado lá ia executando os serviços, sempre gratuitos, quando muito regadas com uma boa tigela de verde tinto, uma fatia de presunto ou umas rodelas de chouriça, sempre acompanhadas com umas chalaças…

Quando regressava dessas viagens em serviço pelo concelho e lhe perguntavam pela distância percorrida, a resposta era dada sempre em dobro;

Outras vezes, quando lhe perguntavam quem eram os médicos de serviço no hospital, respondia prontamente: - Eu e o meu Colega Carmo (Dr.)

Era um homem muito voluntarioso, faceta que herdou do seu pai.

Nos bombeiros, o toque da sirene, fazia-o deixar tudo correndo para o quartel, os filhos ainda hoje, recordam uma vez que estava de cama e ouviu a sirene; A sua Custódia, bem tentou fechar portas e janelas mas de nada valeu, porque ele, num pulo saltou da cama e “lá foi feito maluco” nas cerimónias, o seu orgulho era desfilar com o peito coberto de medalhas; mas também não perdia uma procissão, era vê-lo na Cruz de pedra, Senhor da Saúde, Feiras Novas e muitas festas deste concelho, fazendo de mestre-de-cerimónias e homem do fumo.

Também exerceu o ofício que aprendeu com o seu pai, barbeiro, que exercia sem local fixo, tanto na vila como nos arredores, também chegou a fazer as ornamentações das festas do senhor da cruz de pedra.

Acabou a sua jornada na vila onde nasceu, repousando agora no cemitério de Ponte de Lima, ao lado de muitos outros amigos, para onde foi levado por aqueles a quem sempre dedicou tudo o que tinha, os seus queridos camaradas dos bombeiros voluntários de ponte de lima.

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FIGURAS POPULARES DE PONTE DE LIMA

O ZÉ CARAITAS

José da Rocha Lima é para mim uma das mais interessantes memórias que guardo das feiras novas.

Vivia-se o ano da Liberdade em Portugal, as noticias e as novidades surgiam em enorme turbilhão, vivia-se o verão quente de 1975; O país estava a ferro e fogo.

Penso que todos se devem lembrar da mestria com que representou naquela tarde de Setembro em dia de cortejo histórico, com a cabeça coberta por uma cartola, casaca de abas, camisa branca de fino tecido, muito bem ataviado, com um grande laço de seda ao pescoço.

Uma luva branca na mão esquerda. A outra mão segurava um bastão e outra luva.

Para completar a indumentária no bolso um relógio de prata e um óculo, bem ao gosto da época.

Para maior aparato, a caricatura fumava um enorme charuto.

Lá ia seguindo rua fora, olhando para as varandas de onde saíam vaias e grandes gargalhadas, era um verdadeiro actor, quando o cortejo parava, aí sobressaía “Zé Caraitas” a comunicar com a assistência que ria, com as criticas que ele fazia à forma como os prédios estavam construídos, bem como com as soluções apontadas para restituir a dignidade à vila e harmonizar a paisagem. Tudo isto em permanente inter - acção com os seus colaboradores que iam anotando todas estas soluções, ditadas com a autoridade e dignidade próprias da personagem o velho administrador do concelho.

O povo que assistia, tanto na rua como nas varandas, aplaudia com verdadeiro entusiasmo, estes aplausos eram a consagração para uma das mais carinhosas figuras populares limianas.

Cinco anos mais tarde, no dia 24 de Janeiro, ouviram-se chorar os sinos da matriz e os seus amigos nunca mais puderam rir com as piadas do antigo barbeiro, agora juntou-se ao “Zé Hóstias”, de quem tanto gostava de zombar.

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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

HOMENAGEM A UM COMBATENTE DA LIBERDADE

JAIME CAMPOS


No passado dia 25 de Novembro, o PCP- Ponte de Lima, prestou homenagem a Jaime Campos, Destacado Anti-Fascista em Ponte de Lima.
" Jaime Campos, foi um firme lutador pela Liberdade e pela Democracia, o que lhe valeu a perseguição pela PIDE, tendo mesmo sido preso por duas vezes, uma delas no Aljube".
Jaime Campos, foi uma referencia da resistencia em Ponte de Lima, um empenhado revolucionário e dedicado militante Comunista, tendo aderido ao Partido Comunista Português em 1926, com apenas 18 anos.

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sábado, 22 de setembro de 2007

FIGURAS DA CULTURA LIMIANA

ALFREDO CÂNDIDO:

UM GRANDE CARICATURISTA LIMIANO

Nasceu em Arcozelo, nas «verdes margens do Lima», como ele gostava de dizer, a 27 de Janeiro de 1879. Vem dos tempos das primeiras letras o seu génio criador, a sua «maldita queda para os bonecos». Parece que em criança se perdia nos labirintos da imaginação, nos jogos de olhar, no manejo do lápis ou nos primeiros delírios tripudiantes das linhas curvas. Devia ter feito caricaturas de alguns professores e por razão disso mudou várias vezes de escola até chegar à Industrial de Viana do Castelo. Foi lá que acabou o curso. Depois fez-se à vida. Chegou a Lisboa nos finais do século XIX. «Por causa de uma caricatura, estando depois empregado,» lembra ele anos mais tarde, «fui inesperadamente posto na rua. Foi então que me fiz navegador e cheguei a atravessar as florestas incultas do Brasil, aonde fiz os meus estudos d’apprès nature, pintando os retratos de vários surucucus que pousaram graciosamente.»

Depois, Alfredo Cândido iniciou no Rio de Janeiro e em São Paulo uma carreira resplandecente ligada aos grandes momentos do jornalismo e da charge brasileira da época. Colaborou em várias revistas ilustradas: «Portugal Moderno», «Cidade do Rio» de José do Patrocínio (1), O Malho (2), A Larva, «irreverente e feroz como o ruído d’uma cascavel.» Foi nesta última revista que publicou uma caricatura que fez história: «mostrava Rui Barbosa (3) com uma enorme cabeça, repleta de escadas e estantes de livros. (…) Rui era celebrado por uma cultura vasta, consagrado como um depositário do saber nacional, e por isso era como a versão humana da Biblioteca.» (4)

Alfredo Cândido deixava em cada obra a pequena história de um instante complexo, de um quadro tenso de alegria ou de tristeza, de uma consonância ou dissonância com a vida. É verdade que buscava frequentemente os casos estapafúrdicos dos homens no tempo através das suas representações criativas e acessíveis aos outros homens. Por isso, os seus queixumes: «uma caricatura representou sempre uma ameaça e uma espera; d’uma vez foram suspensos três jornais e eu estive quase a ser também definitivamente suspenso.»

Apesar de tudo, o humorista limiano teve um papel de destaque na cultura brasileira. Conviveu com grandes vultos das artes e das letras no Café dos Artistas (O Papagaio). Chegou a compor a letra de uma valsa (Despedida em Lágrimas) para J. Bulhões (5). Em 1912, talvez um pouco antes, está em Portugal. Colabora no «Brasil Portugal», no «Vira», «Novidades». Faz as caricaturas de ministros, juízes, cambistas, poetas, banqueiros, republicanos e monárquicos: Conselheiro Luciano Cordeiro; Juiz Conselheiro Francisco Mário da Veiga; Dr.Teófilo Braga; Pereira de Miranda; Dr. Afonso Costa; Moreira Júnior; Henrique Burnay; Dr. Jaime de Magalhães Lima; Fialho de Almeida; Dr. António José de Almeida; Dr. Manuel de Arriaga; Conselheiro Dr. Hintze Ribeiro; Dr. Bernardino Machado; Rei D. Carlos; Marquês de Soveral; José Maria Alpoim; Guerra Junqueiro; Conselheiro Dr. João Franco; Dias Ferreira; Mariano de Carvalho. Ilustra vários livros em prosa ou poesia, participa nas duas primeiras exposições dos Humoristas (1912, 1913) e em muitas outras que se realizam nas cidades de Lisboa e Porto. Nessa década, percorreu o país em viagens românticas na busca de temáticas para as suas telas. E em 1923 inaugura uma exposição de aguarelas no Rio de Janeiro. Lá está o seu Minho em «domingo de Páscoa», ou em «dia de romaria», com a «casinha rústica da aldeia», as «flores do campo», os «carros de bois», a «eira». O lirismo do seu pincel é reconhecido com a primeira medalha de aguarela da Sociedade Nacional de Belas-artes.

Foi Presidente do Conselho Superior da Federação das Colectividades de Recreio e Vice-presidente da assembleia-geral da Casa do Minho.

Morreu em Lisboa, a 27 de Julho de 1960.

Luís Dantas

Notas

(1) José do Patrocínio. Orador, Poeta e Romancista. Foi um dos mais brilhantes Jornalistas brasileiros de todos os tempos.

(2) O primeiro número do Malho saiu a 20 de Setembro de 1902. …«ele é o Malho; tudo que passar a seu alcance será a bigorna. O povo rirá ao ver como se bate o ferro nesta oficina e só com isso ficaremos satisfeitos, com a tranquila consciência de quem cumpre um alto dever social e concorre eficazmente para o melhoramento e progresso da raça humana.»

(3) Rui Barbosa. Senador, jurista, jornalista e diplomata. Foi Presidente da Academia Brasileira de Letras.

(4) Gonçalves, João Filipe, Enterrando Rui Barbosa: um estudo de caso da construção fúnebre de heróis nacionais na Primeira República, Rio de Janeiro.

(5). J. Bulhões. Compositor e Pianista carioca. Tocou em todos os clubes do Rio de Janeiro. Seu grande sucesso foi a marchinha «Ai, Filomena», muito cantada no Carnaval de 1915.

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